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Série Defensoria Pública · dia 13 de 26

Como se ingressa na carreira de defensor público

Concurso de provas e títulos, na classe inicial. Mas quantos anos de prática jurídica a banca pode exigir? A lei complementar diz um número, a Constituição diz outro.

Fundador da UFEMProfessor de concursosFonte: CF/88 e LC 80/94

Defensor público ingressa por concurso público de provas e títulos, na classe inicial da carreira (CF, art. 134, § 1º). A regra vale para o cargo de defensor, não para os servidores. Desde a EC 80/2014, aplica-se também o art. 93 da CF, usado na magistratura, e isso muda a exigência de prática jurídica.

Até aqui, nada que fuja do texto constitucional. O ponto que separa quem estudou de quem decorou é outro: quantos anos de prática essa aplicação do art. 93 realmente exige, e por que a lei complementar sozinha não responde a pergunta.

Qual dispositivo rege o ingresso na carreira?

  • CF, art. 134, § 1ºFixa o concurso público de provas e títulos, com ingresso na classe inicial da carreira.
  • CF, art. 134, § 4ºManda aplicar à Defensoria, no que couber, o regime do art. 93, o mesmo da magistratura.
  • LC 80/94, art. 26Exige, no momento da inscrição, dois anos de prática forense.

Um exemplo ajuda a ver a diferença. Um bacharel que fez um ano de estágio nas Defensorias e mais um ano de assessoria jurídica soma os dois anos do art. 26. Mas se a banca aplicar o art. 93 pela EC 80/2014, esse mesmo candidato ainda precisa de mais um ano de atividade jurídica para chegar aos três exigidos.

Quantos anos de prática jurídica o concurso realmente exige?

LC 80/94, art. 26

Dois anos de prática forense, no momento da inscrição. Contam consultoria, assessoria, estágio nas Defensorias ou cargo de nível superior de atividades jurídicas.

CF, art. 93, via EC 80/2014

Três anos de atividade jurídica. O art. 134, § 4º, manda aplicar o regime do art. 93, e a aula conclui que prevalece esse prazo maior.

Corte transversal de um tronco de madeira, mostrando as camadas acumuladas ao longo dos anos
Prática jurídica também se conta em camadas: a lei complementar marca duas, a Constituição, depois de 2014, exige três.

A prova de títulos pode eliminar o candidato?

Só classifica

Para o STF (MS 32.074), a prova de títulos tem natureza classificatória e não elimina sozinha. Mas a pontuação, somada à da prova objetiva, pode levar à reprovação por nota final baixa (RE 221966). O STJ, em sentido diverso, admite prova de títulos com natureza eliminatória (MS 12908).

Guarde os dois tribunais separados: o STF fala em classificação, o STJ admite eliminação. Se a questão citar o tribunal, a resposta muda com ele.

As três trocas que a banca faz neste tópico

  • Prova de títulos. A banca diz que ela pode ser eliminatória por si só. O certo é que, para o STF, ela só classifica, embora a soma com a prova objetiva permita reprovação; o STJ, por sua vez, admite eliminatória.
  • Prática jurídica. A banca diz que os dois anos da LC 80/94 bastam. O certo é que, aplicado o art. 93 pela EC 80/2014, a aula conclui que são exigidos três anos.
  • Exercício anterior do cargo. A banca diz que se pode supervalorizar quem já ocupou o mesmo cargo. O certo é que isso é inconstitucional (STF, ADI 3522/RS), embora se admita pontuação proporcional a cargos congêneres.

A lei complementar fala em dois anos. A Constituição, depois de 2014, pede três. A banca testa se você sabe qual dos dois textos prevalece.

Tese do dia 13 da série

Guarde a lógica: o art. 26 da LC 80/94 fixa dois anos de prática forense, mas o art. 93 da Constituição, aplicado pela EC 80/2014, eleva a exigência para três anos de atividade jurídica. É essa aplicação, não o número isolado, que a banca cobra. Esta é a série Defensoria Pública, um tópico por dia, em tiagozanolla.com.br/blog.

Perguntas rápidas sobre o tema

Quantos anos de prática jurídica são exigidos para o concurso de defensor público?

A LC 80/94, art. 26, exige dois anos de prática forense no momento da inscrição. Mas o art. 134, § 4º, da CF manda aplicar o art. 93, que pede três anos de atividade jurídica. Por isso a aula conclui que valem três anos, não dois.

Como se ingressa na carreira de defensor público?

Por concurso público de provas e títulos, na classe inicial da carreira (CF, art. 134, § 1º). A regra vale para o cargo de defensor, não para os servidores da Defensoria. Com a EC 80/2014, aplica-se também o art. 93 da Constituição.

A prova de títulos pode eliminar o candidato do concurso?

Para o STF (MS 32.074), não: a prova de títulos tem natureza classificatória, embora a pontuação, somada à da prova objetiva, possa levar à reprovação por nota final baixa (RE 221966). O STJ, em sentido diverso, admite prova de títulos com natureza eliminatória (MS 12908).

É constitucional dar pontos extras a quem já exerceu o mesmo cargo de defensor?

Não. O STF, na ADI 3522/RS, considerou inconstitucional supervalorizar, na prova de títulos, o exercício anterior do mesmo cargo posto em concurso, por violar a isonomia entre os candidatos que disputam a vaga. Admite-se, porém, pontuação proporcional pelo exercício de cargos congêneres.

Tiago Zanolla

Tiago Zanolla

Professor de concursos e fundador da UFEM. Escreve esta série a partir do próprio material de aula: um tópico por dia, sempre com o artigo e o número da fonte à mão.

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